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Entraves da educação escolar

Sei perfeitamente que o governo do Estado do Ceará está desenvolvendo dois excelentes programas na educação básica, programas que já elogiei neste espaço: o Programa de Alfabetização na Idade Certa e o das Escolas Profissionalizantes. Mas ao mesmo tempo são mantidas práticas e culturas escolares inibidoras da qualidade escolar, o que faz que o Estado não possua um quadro uniformemente favorável a uma boa educação pública. Uma dessas práticas é a do professor temporário. São milhares deles espalhados por todas as escolas estaduais.

Há escolas no Interior sem nenhum professor efetivo, sendo os professores todos temporários, o que causa uma grande insegurança pessoal e institucional e uma rotatividade prejudicial à qualidade do ensino, além de dificultar a formação contínua do professor. Dizem-se despreparados esses professores por ter frequentado faculdades medíocres, incapazes de proporcionar uma prática escolar e ensinamentos sobre como ensinar. A situação é alarmante: professores com formação universitária, sendo mal preparados e temporários!

Temos aqui um segundo entrave a uma boa qualidade da educação, entrave que tudo mundo finge desconhecer: a existência e a multiplicação na capital e no interior de faculdades de baixíssima qualidade, muitas delas caça-níquel. Até quando essas faculdades serão toleradas? Hoje, são elas que formam a maioria dos professores de ensino médio do interior, exercendo, portanto, uma enorme influência sobre os rumos da educação básica. Iludidos, esses professores clamam por uma melhor formação, menor número de alunos na sala de aula e melhores salários.

O trabalho desses professores com autoestima ferida e confessadamente despreparados é tornado ainda mais complexo pelos problemas sociais vividos por seus alunos e sua cultura inóspita ao trabalho intelectual. Sim, os problemas sociais se acumulam na periferia das cidades interioranas onde se constata desagregação familiar, uso de drogas, violência e uma cultura que valoriza a vaquejada, o forró, o namoro, a cidade grande, a internet e o Facebook. Está se tornando cada vez mais difícil escolarizar as crianças e os adolescentes do interior! Logo retornaremos à ideologia dos anos 60 quando se dizia ser impossível escolarizar sem antes ter uma revolução social!

Outro severo entrave a uma boa educação é o constantemente deficiente sistema universitário estadual que provoca intermináveis greves. Como aceitar que faltem 268 professores nos quadros da Uece? Creio que chegou a hora de nos convencermos que o Estado do Ceará é financeiramente inapto a manter três universidades de qualidade e que é preciso federalizar senão duas pelo menos uma dessas três universidades. O governador Cid, capaz de tantas piruetas para se aproximar da Presidência, deveria poder obter, pelo menos, essa graça.

 

 

FONTE: opovo.com.br

Categorias:Uncategorized
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